segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Sorte do Dragão

Nossa vida na China parece fácil, somente com passeios e festas. Mas não é bem assim. Durante a semana a vida segue normal, com muito trabalho em casa. Como não temos empregada, as tarefas são divididas e as meninas também ajudam. Meu marido ajuda muito, mas já está querendo “férias”. E eu saio de folga quando? Lavo, passo, cozinho, arrumo a casa, cuido das crianças... não tem jeito. Mulher sofre! Até na China.

Mas final de semana é hora de diversão. E isso não tem faltado por aqui. No sábado à tarde fomos ao Solana, um shopping muito bonito aqui de Beijing. Parece com os “malls” americanos. Levamos a Gigi pra patinar no gelo. Era a primeira vez dela e a minha também. Não sei se é tão difícil assim, ou se é porque depois que a gente fica “velha”, fica com medo de levar tombo. Lembro que andava de patins lá pelos meus 15 anos e, apesar de não ser nenhuma fera, dava umas voltinhas mais solta. Aqui foi diferente. Fiquei o tempo toda grudada na parede lateral. Me soltei, de vez em quando, mas logo estava a procura da parede. Nem me arrisquei em ir para o meio da pista. A Gigi também ficou meio receosa. Acho que ela gostou mais de esquiar na neve.
Água da fonte congelada, na entrada do Solana.

 Lu,  Bárbara, Bianca, Amanda, Gigi, Melissa e Fernanda 

Um fato me chamou a atenção na patinação: um senhor caiu de cara no chão, um tombo feio – se é que existe tombo bonito – e chegou a ficar desacordado. Ninguém, mas ninguém se aproximou pra ajudar. É incrível! Existem muitas histórias por aqui de pessoas que foram ajudar outras num acidente e acabaram, no final, sendo processadas pela vítima. Então, por isso, a cultura aqui é não chegar nem perto. No ano passado o vídeo de uma garotinha chinesa atropelada rolou na web. Dois carros passaram por cima da menina, que ficou caída no chão sem receber a ajuda das pessoas. E olha que foram cerca de 15 que passaram por ela. A menina, depois socorrida pela mãe, acabou morrendo.  Sobre o homem que caiu, depois de algum tempo dois rapazes do próprio rinque o ajudaram a se levantar e sair da pista. Nem os professores que davam apoio a algumas crianças se habilitaram a ajudar. Lamentável.
À noite fomos à boate Salsa Caribe, o melhor ponto em Beijing de música latina. Lembra do Léo, da família “Anjos”? Ele é promoter da casa e convidou toda a turma para mais uma despedida. Foi muito bom!
Os chineses me surpreenderam na pista de dança. Eles requebram bem. Alguns parecem “bonecos do posto”, mas pelo menos se arriscam na Salsa. Eu não. A única salsa com a qual tenho intimidade é a que uso no tempero da comida!
Numa certa hora da madrugada o DJ mandou ver na música brasileira. Tocou de tudo: samba, lambada, música baiana, música do “boi” e, é claro, Michel Teló! Só a música dele tocou umas 5 vezes!
O divertido foi dançar com a companhia dos chineses e chinesas. Eles não se acanham de chegar pra tentar imitar nossos passos. Entram na roda numa boa. É a globalização.
Mas um fato marcou pra mim a noite de ontem. Quando chegamos ao local recebemos um ticket com um número que deveríamos guardar porque haveria um sorteio. Mas qual seriam os prêmios? Olhei para o palco montado ao lado do Dj e vi três bichos de pelúcia grandes: um urso, um dragão e um pingüim. Comentei que queria ser sorteada e ganhar o dragão, pra levar pra Gigi.
Por volta de uma da manhã teve a primeira rodada dos sorteios. No terceiro e segundo prêmios passamos direto. Ficamos só na zoação, gritando que era marmelada. Mas aí veio o prêmio principal. “Número 7820”. Era o meu!!!!! Mostrei o papelzinho para o chinês que confirmou que eu era a vencedora. O Léo me levou até a beira do palco e disse que eu poderia escolher entre uma garrafa de champanhe, uma garrafa de vinho, ou um dos três bichos de pelúcia. Alguma dúvida? Não titubeei. Pedi o dragão vermelho! U-hu! Abracei o bichinho, levantei-o pra plateia, enquanto os brazucas faziam a festa. Sei que paguei o maior mico, como dizem os jovens, mas não estava nem aí! Ganhar um dragão chinês no ano do dragão só pode ser sinal de sorte!
Eu e o dragão.
Quando chegamos em casa as meninas ainda estavam acordadas – dessa vez a garotada ficou reunida aqui. A Gigi abriu um sorriso lindo quando eu disse que o dragão era pra ela. Essa felicidade não tem preço, não é mesmo?
Faltava colocar um nome no dragão – sempre colocamos nome nos bichinhos dela. Escolhemos “Muralha”. Agora ela tem o “China”, que é o dragãozinho que demos pra ela no Ano Novo Chinês, e o “Muralha”, o dragão grande. Como ainda temos muito tempo pela frente aqui na China, certamente ela sair daqui com todos os 12 animais do horóscopo chinês!
Gigi entre o Muralha e o China.






domingo, 12 de fevereiro de 2012

Andando na moda de Beijing

A moda aqui em Beijing é usar óculos sem lentes. Isso mesmo. É comum andar pela rua, mercado ou shopping e encontrar alguém usando somente a armação o rosto. Tem gosto pra tudo, né? E para entrar no clima, eu e duas amigas resolvemos aderir a esse modismo das chinesas. Aproveitamos que estávamos no Silk Market, o paraíso dos produtos fakes (falsos) e compramos cada uma um par de óculos, ou melhor, somente a armação. É claro que tivemos que pechinchar o preço, porque tinha doido cobrando 160 Renminbi. Mas já estou craque na barganha e acabamos levando os óculos por 10 RMB. Sou boa negociadora, não sou? Mas não tinha a menor graça comprar as armações e não usar. Então, saímos as três com nossas armações de gatinhas, estilo Hello Kitty. Fizemos sucesso! Tiramos fotos com algumas chinesas e ainda fomos paradas no meio do shopping por outra, que queria saber onde havíamos comprado as armações. Garotas propagandas!
Sucesso em Beijing. Fazer pose com os dedinhos assim também é moda entre os chineses.

Estávamos com nossas filhas e, é claro, elas ficaram nos zoando, perguntando se iríamos andar daquele jeito. Mas é claro que sim. Ali estava a graça. Elas bem que gostaram e até tiraram foto com outros óculos que estavam à venda na loja. Tinha um tão minúsculo, que não sei como alguém consegue enxergar através daquelas lentes; tinha também de esquiador e óculos estilo TRON. Uma variedade imensa.
As meninas também entraram na brincadeira.
Do Silk fomos para o McDonald’s. E nós três de óculos. Lá, a vendedora do quiosque do Café usava uma armação igual às nossas, só que ela era NORMAL, estava com as lentes. Então encontramos uma estudante, estilosa como nós. É claro que pedimos pra tirar uma foto com a gente. Ela ficou rindo à toa e parece ter adorado o convite. No final ficou dando tchauzinho pra gente. Viu? Podemos não saber falar chinês, mas sempre encontramos alguém que nos entende.
Abafando junto com a chinesa.

Agora vejam que coisinha mais fashion.
Capa para iPhone toda em strass.
As chinesas adoram esses modelitos de capa de celular “bem discretos”. Esse aqui, da Hello Kitty, é todo de strass. Quanto mais espalhafatoso, melhor. Difícil deve ser guardar essa coisa na bolsa! Ai, essas chinesas... Mas isso, eu garanto: não vou querer um igual, não!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Curiosidades - Banheiro na China

Dizem que o papel higiênico é mais uma das muitas invenções atribuídas aos chineses. Só que ele costuma ser um item escasso nos banheiros públicos daqui. O melhor é sempre ter na bolsa lenço de papel, para usar em caso de emergência. Além da falta de papel, o estrangeiro precisa ir ao banheiro preparado com o que pode encontrar pela frente. Vou explicar: os chineses não costumam usar vaso sanitário, como nós ocidentais. Eles fazem suas necessidades num buraco. Nos banheiros públicos “mais moderninhos”, existe uma peça de louça fixa no chão, onde eles costumam apoiar os pés para se abaixar. Quando falo abaixar, quero dizer quase colar o bumbum no buraco. Quer entender melhor? Dê uma olhadinha na seqüência de fotos abaixo:

O vaso sanitário chinês.

Esse é o típico vaso encontrado em lojas e restaurantes. Em banheiros públicos pode ser apenas um buraco ou vala no chão. Esse banheiro da foto, dentro do McDonald’s, tem portas separando um vaso do outro. Em alguns locais não existem portas, ou seja, você vê a sua vizinha “passando um fax”. Ainda bem que não encontrei nenhum desses pela frente. Espero não passar por uma situação dessas. Mas se a situação apertar vai ficar difícil escolher.
Muitas lojas e shoppings, sabendo dos costumes dos estrangeiros, possuem as duas opções de vaso sanitário. Sorte a nossa. A criançada já pergunta: “é vaso ou buraco?”
O chato desses banheiros é o cheiro. Horrível! Uma experiência desagradável porque, quase sempre, é preciso prender a respiração enquanto se está lá dentro.

A posição ocidental.
Nós estrangeiros descobrimos o nosso jeito de usar o vaso sanitário chinês. Ficamos agachados, mas não nos abaixamos tanto.
A posição chinesa.

Já os chineses quase “entram” no buraco. Já abri, sem querer, a porta de um desses banheiros e lá estava a chinesa, de cócoras, quase encostando o bumbum no chão. 
É admirável a flexibilidade dos chineses. Ficar agachado é um costume comum deles. Perto da Cidade Proibida cliquei um homem e uma mulher abaixadinhos, naquela posição de quem está fazendo alguma coisa no chão. Mas, não, eles só estavam descansando. Se eu ficar assim por um minuto, quando levantar – se conseguir – vou sair com uma tremenda dor “nas cadeiras”.
Chineses descansando.
Algumas observações: apesar de ser uma coisa estranha para nós, se pensarmos bem, em lugares públicos é até mais higiênico usar esse tipo de vaso chinês. Não corremos o risco de encostar na peça e pegar alguma doença; não precisa ficar limpando o assento ou forrar; não há o risco de pegar um assento todo respingado de xixi da pessoa que usou o vaso antes de você. Viu? Até que não é tão ruim!
Só que como esses banheiros normalmente não são muito limpinhos, igual os banheiros públicos do Brasil, é aconselhável não ficar olhando muito pra baixo. Mas é preciso ter certeza de estar com os pés bem apoiados de ambos os lados e ter um bom equilíbrio. Nem pense em tropeçar! Você pode acabar enfiando o pé no buraco. Aí vai entrar pelo cano, ou, pra ser mais exata, enfiar o pé na #&*%@!!!!
Já usei um vaso desses e foi tranqüilo. O problema foi fazer o pipi rapidinho, ou teria que soltar a respiração e sentir aquele agradável cheirinho. Ah, até hoje não sei onde fica a descarga. Deve ser acionada com o pé. Vou procurar da próxima vez.
As casas dos hutongs, antigas construções em ruas bem estreitas, espalhadas pelas cidades chinesas – parecem uma vila – geralmente não possuem banheiro privativo. As pessoas dividem um banheiro público. Por isso ter banheiro dentro de casa, antigamente, era motivo de orgulho para os chineses. Ainda bem que as coisas mudaram e continuam mudando muito por aqui.
Agradecimentos especiais:
As fotos do banheiro não teriam sido possíveis sem as amigas Cristiane e Juliana, que ajudaram na produção. Gigi e Fernanda também colaboraram com o Blog, tirando as fotos do vaso sanitário chinês. Isso é que é trabalho em equipe!!


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

As muitas atrações da Praça da Paz Celestial

Ontem à tarde fomos visitar a Praça da Paz Celestial, conhecida por aqui como Tiān'ān mén Guǎngchǎng, Praça do Portal da Paz Celestial. Um lugar importante na história da China antiga e moderna. Já “conhecia” a Praça por fotos e pela tv, mas foi fascinante estar ali, tendo a oportunidade de ver, in locco, a grandiosidade do local – são 440,000 metros quadrados!! Fiquei impressionada. É admirável a limpeza do lugar, a organização, o respeito das pessoas. O frio estava de rachar e a sensação térmica era ainda menor por causa do vento. Logo que entramos na Praça, uma rajada fez a gente quase “voltar” pra trás. Uma lata de lixo, grande, saiu deslizando pelo meio da praça, a toda velocidade. Gigi adorou!

De nossa casa até a Praça levamos uns 15 minutos de táxi e isso porque o trânsito é sempre intenso. Sem engarramento levaríamos cerca de 5 minutos. É bem pertinho.
Andamos a Praça toda, e tirei muitas fotos. Fui tentando explicar para as meninas o que representa o local para o povo chinês. Não pude deixar de comentar sobre o conflito que aconteceu ali, em junho de 1989, entre intelectuais, estudantes  e trabalhadores com o Exército Chinês, num movimento contra as medidas do governo, que geravam inflação e desemprego. A imagem que marcou, e deu nome ao protesto, foi a do jovem chinês tentando parar uma coluna  de tanques de guerra. O rapaz  sumiu e niguém sabe, até hoje, o que aconteceu com ele. O número de mortos e feridos são controversos, mas podem ter chegado a 7 mil. A atitude do governo foi criticada por grande parte da comunidade internacional. Deng Xiaoping, grande responsável por inserir a China  no mundo moderno, abrindo o país à economia de mercado, acabou manchando sua reputação com o incidente. Falar sobre esse assunto, por aqui, é tabu.
Mas a história da Praça não se resume a esse incidente. É praticamente impossível conhecer tudo em um único dia, ou em poucas horas. Como teremos bastante tempo por aqui, fizemos um tour bem rápido. Vou tentar explicar o que representa cada prédio ou monumento existente ali.

Primeiro, a explicação do nome da praça: Tiān'ān mén, é composto pelos caracteres “céu”, “paz” e “portão”, daí a versão ocidental de Portão da Paz Celestial. Construída inicialmente em 1417 durante a Dinastia Ming, a Praça era a porta de entrada para a Cidade Proibida.
Bem no centro da Praça fica o Monumento aos Heróis do Povo, inaugurado em 1958. Ele é feito de granito e tem 37,94m de altura. Nele está escrita uma frase de Mao Tse Tung: “Eterna Glória aos Heróis do Povo”.

 Monumento Aos Heróis do Povo, no centro da Praça da Paz Celestial 


Um pouco mais adiante, está o mastro com a Bandeira Nacional da China. Diariamente acontece ali, um evento bastante esperado pelos visitantes: a cerimônia de hasteamento da bandeira pela Guarda de Honra, que começa bem cedo, ante do sol nascer.

Bandeira Nacional da China
Ao sul da Praça fica o Mausoléu de Mao Tse Tung. Lá dentro, num caixão de cristal, está o corpo do presidente que liderou o país de 1946 até 1976. As visitas acontecem somente na parte da manhã. A mais ansiosa pra ver Mao é a Giovanna. Curiosidade de criança que ficou pra próxima.

Mausoléu de Mao Tse Tung, entrada sul 
Numa das entradas do Mausoléu há duas grandiosas esculturas: uma representando “A Revolução Chinesa” e a outra o “Período da Nova Democracia”.
Uma das esculturas em frente ao Mausoléu
  
Bem em frente ao Mausoléu de Mao, do lado sul, está o Qián mén, ou Porta da Frente. O local, construído em 1419, abriga a Porta do Sol, Zhèng yang mén  e a Torre de Tiro com Arco. As duas construções eram ligadas por muros e guardavam a entrada principal da Cidade Proibida. São belíssimas e imponentes. Ao passar pelo arco da Torre de Tiro parecemos bonequinhos, de tão grande que ele é. As portas também são enormes. Elas contêm semicírculos dourados em toda a sua extensão. Dizem que dá sorte esfregar a mão nelas, então, não perdemos tempo e seguimos a tradição. Não custa nada.

 
 A Porta da Frente
  
 A enorme porta e seus semicírculos

Do outro lado da rua, a Torre de Tiro com Arco
Entre as duas construções está o Marco Zero das Rodovias da China. Pertinho dali, mais para a esquerda, é possível avistar o Museu das Ferrovias.

Marco Zero 

Do outro lado, onde fica a Porta do Sol, está a Cidade Velha de Beijing. Como estava muito frio, não atravessamos para o outro lado. Resolvemos ir para o lado oposto, o da Cidade Proibida. 
No caminho avistamos o Museu de Numismática da China. Para quem não sabe numismática é o estudo das moedas e das medalhas. Deve ser uma visita bem interessante.

Museu de Numismática
  
Ao lado do museu, no lado oeste da Praça, está o Grande Salão do Povo, centro político de Beijing e a Casa do Congresso Nacional Popular, que se reúne ali apenas uma vez por ano, durante cerca de três semanas. O Partido Comunista da China também usa o local para suas reuniões, que acontecem de cinco em cinco anos.
Grande Salão do Povo 

Do lado oposto ao Grande Salão do Povo, bem em frente, do outro lado da Praça – lado leste - está o Museu Nacional da China. É muita coisa pra visitar. Um prato cheio pra quem aprecia “um pouco” de história.
Museu Nacional da China
Como já falei, a Praça é muito bem cuidada. Chama a atenção, também, o número de câmeras de segurança espalhados por todos os lados. Mas isso não é algo presente somente na Praça. Existem câmeras espalhadas por toda Beijing. A população é monitorada o tempo inteiro, em todos os lugares. Sobre os guardas um detalhe: eles não usam armas. Também, devem ser todos “mestres” em Kung Fu. Vai mexer com eles! 
Depois de uma boa caminhada, finalmente atravessamos, por uma passagem subterrânea, a Chang’an Jie, a rua mais larga e mais longa do mundo, com 46 quilômetros de extensão. Ela é o centro político e cultural da China. Na parte oeste ela se chama Fuxingmen e na parte leste, Jianguomen.
Localizada bem no eixo central de Beijing está a Torre do Portão da Paz Celestial, um das construções mais famosas de toda a China. É aquela que possui o retrato de Mao Tse Tung bem na frente. Fica na parte norte da Praça. Ao lado do retrato de Mao, dois cartazes gigantes. O da esquerda com a frase “Viva a República Popular da China” e o da direita, “Viva a grande unidade dos Povos do Mundo”. Foi dali do alto que Mao Tse Tung, no dia 1º de Outubro de 1949, proclamou a fundação da República Popular da China.
Ao fundo a Chang’an Jie e a Torre do Portão da Paz Celestial com os cartazes e a foto de Mao
Gigi "entrando no clima" 
Na entrada há sete pontes de mármore branco – cinco bem em frente ao Portão - sendo que a central, e mais larga, era reservada para o Imperador. 
Duas colunas de pedra, uma em cada lado, marcam a entrada. Elas pesam 10 toneladas e têm 10 metros de altura.
                                       Coluna da esquerda                               Coluna da direita

Os leões, animais sempre presentes aqui na China - porque dentro da Cultura Chinesa são eles que protegem os homens dos espíritos malígnos - guardam as pontes de acesso.
 Leão de Guarda
 A temperatura anda tão baixa que o rio que passa pelas pontes está praticamente congelado.
Rio congelado 
O Portão construído durante a Dinastia Ming, era a porta da frente da Cidade Proibida e de onde era anunciado o novo Imperador ou Imperatriz. Até 1911 ninguém podia entrar na Torre, exceto a família real e os aristocratas. Hoje em dia a Torre é aberta a visitação. Tempos modernos. Ele já foi reconstruído diversas vezes, como em 1457, quando foi atingido por um raio, e no século seguinte, em 1644, quando foi completamente incendiado por rebeldes.
O famoso retrato de Mao Tse Tung

Em frente a Torre do Portão da Paz Celestial
Cruzamos o Portão Celestial em direção à Cidade Proibida. É muita gente visitando o local. De longe parecem formiguinhas. E lá estávamos nós, como quatro delas. Mais uma vez aproveitamos pra passar a mão nos semicírculos das portas. Nunca é demais.
Mais uma esfregadinha na porta

Nossa intenção era entrar na Cidade Proibida, mas passava das três da tarde e as visitas terminavam às 16h30min. Além disso, estávamos congelando de frio, apesar de todos os agasalhos que vestíamos. É um passeio que requer paciência e bom preparo físico, porque pode levar cerca de 4 horas: a Cidade é muito grande! Visitar com pressa não dá.

A poucos metros da Cidade Proibida
 
Pegamos uma saída lateral e fomos beirando os muros do lado oeste da cidade. Nesta parte eles estão bem mal cuidados. Mas a restauração dos palácios está em andamento.
Recuperando a história
No caminho de volta, experimentei um espetinho de morango caramelizado. Estava bem gostoso.
Adoro morango
Compramos, também, duas bandeirinhas da China para as meninas. As duas custaram 4 Renminbi, pouco mais de um real. Pagamos com uma nota de 5 RMB e fizemos sinal para a senhora que nos vendeu, que poderia ficar com o troco. Ela NÃO aceitou! Eles são assim: não costumam aceitar gorjetas. Bonitinho foi ela nos dar o troco segurando a moedinha de 1 RMB com as duas mãos, um costume dos chineses.
Viva a China!
Espero que tenham gostado do nosso tour pela Praça da Paz Celestial. Na semana que vem devemos voltar para, aí sim, entrar na Cidade Proibida! Tomara que esteja menos frio.






terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Finalmente a ave preta!

Lembram-se da ave preta, que mais parece um urubu, que comentei ter visto no Carrefour? Pois está aqui a prova de que ela existe!

Eu não me arrisco de comer essa coisa...
A “bicha” depenada é muito feia. E as tripas ou sei lá o quê é aquilo, não quis ficar fuçando, ficam aparecendo... argh... é muito esquisita. Já me disseram que é uma ave de penas brancas. O que será que dá pra fazer com ela? Estrogonofe, fricassé, uma canjinha? Fico imaginando que qualquer coisa com esse bichinho deve ficar com um aspecto horroroso. Melhor nem pensar.

Mais as bizarrices do mercado não param na ave preta. Tinha uma cabeça de porco à venda. Procurei na internet e existem vários pratos que podem ser feitos com ela. Vivendo e aprendendo.
Vai uma cabecinha de porco aí?

Esse porco era grande. 

Na peixaria havia muitos peixes vivos, dentro de aquários, esperando o momento de serem “pescados” pelos consumidores. A Gigi queria porque queria que a gente pescasse um, só pra ela ver. Ficou pra próxima, porque nosso vocabulário chinês não permite perguntar se o peixe é de água doce ou salgada. Comer peixe de água doce por aqui é um perigo, porque os rios são praticamente, todos, poluídos. Pra não ter dúvida optamos por um bacalhau. Mas é um bacalhau completamente diferente daquele que conhecemos: vem em postas quase redondas, e dessalgado. Um peixe como outro qualquer. Comemos dele no Tairyo Teppanyaki  – aquele do sorvete flambado - e gostamos. Vamos preparar em casa e ver como fica. Depois eu conto se aprovou.

Gigi ficou com medo que os peixes pulassem dali.

No supermercado tinha ainda tartaruga, enguia, camarão seco, fresco, congelado, pra tudo quanto é gosto. A parte das carnes também é bem variada e o fato de não sabermos o que está escrito nos ideogramas, dificulta saber do que se trata.

Então você deve estar se perguntando como descobrimos que o bacalhau era bacalhau? Alguns produtos, na maioria os importados, estão escritos também em inglês. Nossa salvação!

Descobri que aqui é o paraíso da lingüiça! Tem lingüiça de tudo quanto é tamanho: fininha, grossa, mais clara, mais escura. E, pelo visto, de animais diferentes. Comprei uma no outro dia pra colocar no feijão preto que trouxe do Brasil, e o feijão ficou meio doce. Calma, pessoal. Não troquei o sal pelo açúcar, não! Foi a lingüiça! Hoje fiz feijão novamente, mas só com sal, cebola, alho. Nada de lingüiça chinesa. Comidinha de bebê. Ai que saudade de uma boa feijoada!

É, o passeio pelo supermercado serve pra comprovar que a culinária chinesa é bem variada. Por falar nisso, ainda não fui dar uma olhadinha nos espetinhos exóticos daqui, como o de escorpião, de bicho da seda, de estrela do mar, etc. Podem deixar que isso vai ser assunto de um próximo post. Será que vou ter coragem de experimentar algum? Esperem pra conferir.


Boemia na China

A vida boêmia aqui em Beijing está bombando! Na quinta-feira passada fomos à churrascaria Latin, e matamos um pouco da saudade do churrasco brasileiro. Fraldinha, picanha, coração de frango. Gostei. A noitada regada à música brasileira foi uma espécie de “até logo” do casal de músicos da casa, o Adriano e a Lu. Simpatia e ótimo som. Eles estão indo ao Brasil e retornam em março. Até lá serão substituídos por outro músico brasileiro. Não lembro o nome dele – mil desculpas – mas tem uma voz digna de Jamelão e Neguinho da Beija-Flor.

Como não podia deixar de ser, já que a música era Made in Brazil, os três “meninos” da família Câmara se uniram ao casal de músicos, dando mais um show no cavaquinho e na percussão. No final ainda teve uma “canja” do Câmara Pai, em grande estilo, observado de perto pela mãe-esposa-empresária coruja Marissol. É a perfeita família Dó-Ré-Mi!!
Noite de música brasileira

O grupo de amigos, sempre muito animado, arriscou alguns requebros e na maioria das músicas ajudou no “back vocal”. Recordar é viver.
A mulherada animada com o som

Ainda teve uma “palinha” do Marco, cantando a versão chinesa da música do Michel Teló: “Ai, ai, assim você me mata. Ai se eu te pego, ai, ai... “ Foi a vez da Ana ficar babando o filhão!
Marco "Teló"

Entre muita diversão, foi interessante ver os garçons chineses caracterizados de gaúchos e informando, num português arrastado, o tipo de carne que estavam servindo. Lá pelas tantas, éramos somente nós na churrascaria e a turma chinesa já nos olhava com cara de “isso não acaba nunca?”

Mas, como disse lá em cima, a vida boêmia tá bombando na capital chinesa. No sábado fomos a mais uma despedida, desta vez, da Eulália, do Aroldo e do Léo, que estão retornando de vez para o Brasil. Para homenagear a família “Anjos”, todos usaram um arco na cabeça, com um halo. Foi mais uma noite agradável. Desta vez aqui pertinho de casa, no Tim’s Texas Bar-B-Q. Apesar de conhecê-los há apenas dois dias, deu pra perceber o quanto “os Anjos” são queridos, e ter a certeza de que vamos deixar de conviver com pessoas especiais. Mas logo, com certeza, nos encontraremos em outro cantinho desse mundo, que muitas vezes parece tão pequeno, não é mesmo? Felicidades pra família Anjos na nova jornada!
Da esquerda para a direita: Fernando, Cris, Pixinine, Ingrid, Eulália e eu; na frente, Léo, Aroldo e Caputo

Enquanto alguns batiam papo, outros jogavam acirradas partidas de dardo. O difícil, depois de tanta cerveja, era visualizar apenas UM alvo. A turma tá ficando craque, ou será pura sorte?

Outro detalhe importante: é preciso jogar num equipamento com placar eletrônico, porque depois de algum tempo fica difícil fazer o cálculo dos pontos! Por que será?

Duas observações:

O Fernando chegou ensinando as regras e mostrando intimidade com o jogo. É o dono da bola, ou melhor, dos dardos...tá ganhando todas!

E a Cris? Fala sério! Vai mirar bem assim lá... no Brasil!!! Na primeira tentativa cravou a marca. Ela e o Fernando devem ter um alvo escondido em casa e ficam treinando todos os dias. Só pode ser!

Assim como na churrascaria, deve ter faltado pouco para sermos expulsos do bar. Às duas da manhã a disputa de dardos não terminava, e teve que ser interrompida, ou não teria fim. A garçonete chinesa, com sua armação de óculos sem lentes – depois eu escrevo algo sobre essa moda aqui em Beijing – não agüentava mais aquele bando de brasileiros malucos. Deve estar imaginando, até agora, que no Brasil não existe jogo de dardos, porque a turma parecia criança eufórica com um brinquedo novo!

E assim os dias seguem, nessa aventura na China...

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Noite do Festival das Lanternas

Mais uma noite de muitos fogos em Beijing. Hoje a China e outros países do oriente celebram o Festival das Lanternas. É a primeira noite de lua cheia depois do Ano Novo – que começou em 23 de janeiro. Ou pode-se dizer que é o 15º dia do primeiro mês do Ano Novo Chinês e último dia do Festival da Primavera.  

O nome do Festival das Lanternas é Yuan Xiao Jie (元宵节 ou 元宵節). “Yuan”, primeiro mês do ano, “Xiao”, como os antigos chamavam a noite e “Jie”, festival.

Yuan Xiao, ou Tang Yuan, é também o nome do bolinho especial que os chineses costumam saborear esta noite. Redondinho, ele é cozido ou frito e feito com farinha de arroz doce e recheado com massa de feijão, tangerina, gergelim, chocolate ou pasta de amendoim.

Em alguns lugares o Festival da Lanterna é também uma espécie de Festa dos Namorados. Há muitos e muitos anos atrás, as moças não podiam sair de casa sem a permissão dos pais. Mas o dia de hoje era uma exceção. Então, elas aproveitavam a oportunidade para se divertir com os rapazes.

Confesso que não comi bolinho, nem vi nenhuma lanterna subindo aos céus. As únicas que vejo aqui de casa são as mesmas que enfeitam os jardins e os prédios desde o dia do Ano Novo Chinês.

Os chineses gostam, mesmo, é dessa coisa de fogos de artifícios. Afinal, foram eles que inventaram a pólvora. Diz a tradição chinesa que os fogos de artifícios servem para espantar os maus espíritos. Olha, deve ter muito espírito ruim solto por aqui, porque o foguetório não para lá fora!!



domingo, 5 de fevereiro de 2012

Segredos de Beijing

No prédio onde moramos há diversas portas de aço, enormes, que mais parecem portas de abrigos antiaéreos.
Uma das muitas portas de aço no subsolo de nossa garagem. Seria um abrigo?

Curiosa, fui pesquisar e ver se achava algo sobre elas e me surpreendi ao saber que existe uma cidade subterrânea por grande parte de Beijing. Essa cidade é chamada de Dixia Cheng.
No início de 1969, as relações entre a China e a antiga União Soviética, que já não eram boas desde a década de 50, entraram em colapso, com confrontos armados em parte da fronteira entre os dois países. Temendo uma guerra nuclear, Mao Tse Tung ordenou a construção de túneis sob a cidade de Beijing. Em caso de ataque químico, nuclear ou qualquer outro tipo de severa ameaça, a ideia era transferir metade da população para esses túneis, e a outra metade para as colinas a oeste da cidade. Os abrigos teriam restaurantes, escolas, hospitais, locais para armazenagem de grande quantidade de comida, enfim, toda uma infra-estrutura capaz de permitir que os chineses sobrevivessem ali por um longo tempo. Verdade ou ficção? Ainda não visitei nenhum local como esse, mas se tratando de China tudo é possível.

Há relatos de que a cidade subterrânea teria sido construída pelas mãos de aproximadamente 300 mil cidadãos locais, e que ela ocupa uma área de 85 quilômetros quadrados, ligando, entre si, os principais pontos da cidade, como a Praça da Paz Celestial, Cidade Proibida, o Templo do Céu e as colinas na parte oeste. Dizem, ainda, que ela chegou a ter 90 entradas, mas que atualmente, a maioria delas está escondida sob o comércio da cidade.

A boa notícia é que parte do complexo é liberada para visitação. Então, se você está em Beijing  e quer conhecer o local - como eu pretendo fazer - a indicação é uma pequena loja em Qianmen, na parte sul da Praça Tiananmen – a Praça da Paz Celestial - no número 62 da West Damochang Street. Certamente uma boa pedida para aprender um pouco mais da grandiosa história da China.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Soninho chinês e muita diversão nas lojas

Como já falei num post anterior, o chinês é capaz de dormir em qualquer lugar, até mesmo ao volante, esperando o sinal abrir. Coisa de louco! 

No outro dia, andando pela cidade, vimos um homem sentando sobre uma bolsa, no meio do jardim, tirando uma soneca. E olha que estava um frio danado.
Não importa o local nem o frio se o sono bate
Já vi gente dormindo no McDonald’s, no Starbucks. Principalmente se é aquela horinha de descanso após uma refeição, a tradicional sesta.
Eles também costumam entrar nas lojas de departamento pra deitar na cama, no sofá. Nas lojas de material esportivo, jogam ping pong, andam de bicicleta, etc.
No outro dia entrei na loja oficial da Apple, a única aqui de Beijing, e parecia um formigueiro. Difícil era conseguir dar uma olhada nos aparelhos, porque sempre tinha um chinês "brincando" com o equipamento. Deu pra perceber que havia famílias inteiras passando o tempo ali dentro da loja.
Gigi na porta da loja da Apple

Nada como sair de casa pra se divertir, certo? Como muita coisa ainda é novidade pra eles, o negócio é aproveitar, sem cerimônias. E isso, eles não têm, mesmo.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Divertindo e se divertindo com os chineses

Ontem foi aniversário da Cristiane, uma nova amiga aqui em Beijing, e fomos todos para uma pizzaria no Workers Stadium, o Estádio dos Trabalhadores. A Tube Station se orgulha de ter a maior pizza de Beijing. A de tamanho grande tem 22 polegadas de diâmetro, ou pouco mais de 55 centímetros. Realmente impressiona, mas para os apreciadores de pizza ela é facilmente consumida. Uma delícia! São 19 opções, entre elas as tradicionais, como pepperoni e muzzarela, e as invenções da casa, como a de porco, pato, salmão defumado, mexicana, cogumelo, frango, vegetariana, abacaxi com bacon...

Toda terça-feira tem promoção de cerveja e refrigerante. Entre 5h da tarde e 8h da noite bebe-se à vontade, no sistema de refil. Não preciso nem dizer que chegamos cedo. A casa ficou cheia. O copo de cerveja custa menos de 15 Renminbi  (menos de 4 reais) e a pizza gigante 121 RMB (cerca de 30 reais). Muito barato!
Estávamos saboreando nossas pizzas quando um jovem chinês da mesa em frente se aproximou falando inglês com a gente. É comum por aqui eles abordarem os ocidentais para praticarem inglês. Foi a primeira vez que isso aconteceu conosco. E foi divertido. O rapaz, que já devia ter tomado umas boas cervejas, nos disse que se entendêssemos o que ele estava falando em inglês, nos pagaria uma bebida. Compreendemos facilmente o que ele disse e logo lá estava ele pedindo à garçonete que nos desse uma cerveja. Foi o início da diversão. Não demorou muito para mais um chinês se aproximar e mostrar que também sabia falar inglês. Dissemos que a Cris fazia aniversário e pedimos que cantassem um “parabéns” em chinês pra ela. Fomos prontamente atendidos: pesquisando na internet, achei a letra. Quem se arrisca?

zhù shēng kuài lè. zhù shēng kuài lè. zhù shēng kuài lè. zhù shēng kuài lè”.

A melodia é a mesma do parabéns americano, que fica repetindo o “Happy birthday to you”. Em retribuição, cantamos o nosso parabéns para um dos chineses que fazia aniversário também. Aí teve de tudo: “Com quem será?... “A chuva cai, a rua inunda, ô chinês eu vou comer seu bolo...” Um dos rapazes perguntou ao Tuninho o que significava essa última música e ele, na maior cara de pau, disse que era a mesma coisa que o parabéns chinês. Não dava pra explicar, não é mesmo? A nossa garotada, que tinha se acomodado numa mesa à parte, veio logo ver que bagunça era aquela que os adultos estavam fazendo. É, os jovens ficam comportadinhos e nós adultos fazemos a farra. Os chineses, então, nos ofereceram outra música. Sabe o que cantaram? O hino da China!! Ah, pra quê. Cantamos “Cidade Maravilhosa”. A coisa estava tão animada que o gerente da pizzaria nos trouxe, de cortesia, alguns copinhos de Maotai, a aguardente chinesa. Só que aqui, por tradição, é preciso bebê-la de um gole só. É o “gam bei”, ou vira-copo. Alguns se arriscaram numas três doses. Eu só molhei os lábios, porque é muito forte. Acho que se bebesse aquilo de uma vez só, ia virar a atração da pizzaria, rindo sem parar!
Entre abraços e fotos a turma chinesa se despediu, e nós continuamos ali, num bom papo. No final, como não podia faltar, teve o bolo da aniversariante e aí sim, um “parabéns pra você” no bom português. Onde tem brasileiro, pode ser do outro lado do mundo, a diversão é garantida!
 Os chineses cantando

A pizza gigante