sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Batizando os lugares pra facilitar



Entender o que dizem os ideogramas chineses só mesmo com muito estudo. Alguns você até passa a conhecer com o tempo, mas não é fácil.

Pra facilitar, então, muitas pessoas passaram a apelidar os lugares. E a coisa pegou! Vou falar dos que já conheci.

Shopping do avião.
É um shopping que vende móveis, equipamentos para banheiro e cozinha, e que ganhou esse apelido porque tem um avião em tamanho verdadeiro bem na entrada, no estacionamento. É preciso tempo e paciência pra conhecer tudo, mas vale a pena.


"Shopping do avião"

Um turbo hélice bem antigo decora o estacionamento.


Shopping Maria Fumaça.
Já sacou por que esse nome? Claro, porque tem um trem antigo na frente. É um shopping que também vende móveis e artigos para decoração, muito bom. Como sempre o local é enorme e requer disposição para “garimpar” bastante. Também é conhecido como Top City.

 A Maria Fumaça.


Shopping Maria Fumaça ou Top City.



Shopping dos lustres.
Como o nome já diz, é um lugar que oferece todo o tipo de produtos para iluminação: fios, lâmpadas de led, dicroica, cabos e mais cabos com luzes de neon, spots, abajures e luminárias de tudo quanto é tipo, gosto e tamanho. Também é preciso tempo e calma para observar tudo em seus mínimos detalhes. São vários prédios e um mundo de opções.


Alguns lustres são um tanto "exóticos".

Tem também desses enormes que por aqui os chineses adoram.

Essa luminária aqui eu gostei.


Shopping dos bichos, Tiān Yì - 天意批发市场, tiān yì pī fā shì chǎng.
Não, ele não tem esse nome porque vende animais. Ele ganhou esse nome porque é todo decorado, na parte externa, com bichos. Tem coelho, girafa, porco, elefante... Mas tem também Papai Noel e umas figuras estranhas. Coisa de chinês. É um shopping bem popular, tipo mercadão de Madureira, com preços bem em conta. A barganha ali não é tão grande, mas dá pra pechinchar um pouquinho. Ainda mais se comprar em quantidade.

Ele vende lembrancinhas, roupas, bolsas, perucas, objetos de decoração, bijuterias, joias chinesas, artigos para cama, mesa e banho... Como sempre, a variedade é enorme.

Os chineses “dançam conforme a música”, então, algumas lojas mudam de ramo dependendo da ocasião. No Natal eram várias vendendo artigos natalinos. Atualmente estão repletas de enfeites para o Ano Novo Chinês.

Entrada do Tian Yi, o "Shopping dos Bichos".


A bicharada está por todos os lugares.

Papai Noel fica ali o ano inteiro. 


Tem também umas figuras diferentes, bem do estilo dos chineses.


Rua das Mulheres -  女人街, nu rén jiē.
O nome em chinês realmente é “Rua das Mulheres”. É uma pequena rua, a céu aberto, que vende principalmente roupa. Mas é tudo muito simples.


A rua das mulheres.


Mas a gente aproveita pra associar o nome ao shopping que tem bem ao lado da rua - o novo Mercado das Flores - 北京花卉交易市, běi jīng huā huì jiāo yì shì chǎng - e às lojinhas que ficam na calçada em frente. É um local onde é possível comprar plantas artificias e naturais e muito artesanato chinês, de madeira, louça...


Fachada do novo Mercado das Flores.


Shopping dos eletrônicos.
Fica a cerca de 20 quilômetros aqui de casa. São quatro prédios – com cerca de 10 andares cada um – com tudo o que você pode imaginar em eletrônicos: câmeras fotográficas, filmadoras, telefones celulares, vídeo games, equipamentos de karaokê, equipamentos de segurança, computadores... Das mais variadas marcas, como Apple, Sony, Samsung, Canon, Nikon... Produtos em sua maioria originais - é o que eles dizem. E os preços ótimos! É de enlouquecer!

Um dos espaços do Shopping dos Eletrônicos.


Bairro dos Russos.
Aqui em Beijing tem muito russo. Tanto que eles têm até um bairro “exclusivo” - o Ritan - com lojas e placas de ruas escritas no alfabeto russo – também conhecido como cirílico russo moderno. Se os ideogramas chineses já são um problema, imagina as letrinhas russas?

E como chinês não é bobo nem nada, se você passa por lá eles começam logo a falar em russo, pra te vender massagem, pacote de agência de viagem, relógios... Os comerciantes das lojas locais normalmente falam chinês, russo e inglês. É a globalização! Eles aqui realmente se viram. Essa turma de olhinho puxado é bem espertinha.

A principal rua do bairro é a Ya Bao Lu, 雅宝路, yǎ bǎo lù.


 
Ya bao lu, a rua dos russos.

Já é difícil de entender o mandarim, 
que dirá essa "sopa de letrinhas" russa.

Anúncios em chinês e russo.



Anúncios com modelos russas estão por toda a parte.


Esse prédio alto é o "Men". Dizem que é um lugar bom
para comprar roupas e artigos para cama e mesa.
Só fui numa lojinha que vende roupas, no prédio à esquerda dessa foto.
 Pena que não fotografei, porque é um verdadeiro "mafuá".


Dong Jiao东郊市dong jiao shi chang.

Esse não tem nenhum “apelido” associado. Se tem, ainda não sei. É um mercado que vende em atacado e que também tem uma variedade enorme de produtos: artigos para casa – louça, copos, artigos para escritório; têm também bicicletas, motos... E ainda um espaço só de carnes, peixes, verduras e frutas. Assim como no shopping dos bichos, barganhar no Dong Jiao não faz muito sucesso. Dificilmente eles diminuem o preço. Mas também é tudo muito em conta.

Dong Jiao.

Mercado mais popular.

Carne pra escolher a vontade. Confesso que
prefiro comprar no Carrefour.

Tem também a parte dos peixes, crustáceos...

...Onde você escolhe o bichinho vivo.

Agora olha o que encontrei no Dong Jiao:
Não sei quem é mais "figura", se o cachorrinho ou o dono.



Gao Bei Dian, 高碑店家具一条.

É uma rua com dezenas de lojas de móveis, antigos e modernos, mas a maioria em estilo chinês.  Pra quem gosta é um prato cheio.

Entrada da Gao Bei Dian.


Shopping dos Hotéis.
É um atacadão de produtos voltado, principalmente, para os hotéis. Tem louça, talheres, copos, panelas, artigos de cama, mesa e banho, produtos de limpeza... Lá você pode montar um aparelho de jantar com o detalhe que quiser na borda. Ou melhor: você tem alguns modelos e pode escolher dentre eles. Tem o Shopping dos Hotéis novo e o antigo. Pra variar, não sei o nome deles em chinês. 

Wanfujing, 王府井大街, wáng fǔ jǐng dà jiē.
É considerada a rua mais movimentada de Beijing, recebe cerca de 600 mil pessoas por dia – nos finais de semana esse número dobra – e tem mais de 700 anos. É na Wanfujing que você encontra os exóticos espetinhos chineses com escorpiões, lagartixas, lacraias, besouros, aranhas, gafanhotos e outros “bichinhos” parecidos. Na verdade é coisa pra gringo, porque ainda não vi nenhum chinês parando ali pra comer uma daquelas coisas bizarras!

Rua estreita onde você encontra os exóticos espetinhos chineses.
Andar por aqui é uma aventura. 
E prenda a respiração porque o cheiro é horroroso.
Tem um outro local bem ali perto, que também vende esses 
espetinhos e é bem mais limpo.


Tem espetinho pra tudo quanto é gosto. Tô fora!

A Wanfujing à noite.


Xīdān西单商业街, xī dān shāng yè jiē.
É chamada de “a segunda Wanfujing de Beijing” por causa de seu comércio agitado. Shoppings em prédios modernos abrigam diversas lojas de departamentos famosas, praças de alimentação e locais de entretenimento. Tinham me dito que os preços eram bem razoáveis, mas não achei nada atrativo. Já vi lugares bem mais baratos por aqui.


Diversos shoppings: é o chinês cada vez mais consumista.


Além das lojas, o lugar possui uma praça com uma área de 35 mil metros quadrados, a Xidan Culture Square, considerada a maior área de entretenimento do centro de Beijing.

Hoje Xīdān abriga o que há de mais moderno no comércio, mas sua história vem lá do tempo da Dinastia Ming (1368-1644), quando era uma área importante de ligação entre o sudoeste e o centro da cidade.



Na praça de Xidan tem até escada rolante a céu aberto.

Tradicional portal chinês na entrada da praça.



Não posso deixar de falar dos lugares mais famosos para compras na capital chinesa:

Xiù shuǐ, 秀水街, Xiù shuǐ jiē - também conhecido como Silk Market, o Mercado da Seda.
É onde nosso poder de barganha é testado a todo o momento. E a paciência, idem. Confesso que é meio estressante ter sempre que ficar “chorando” o preço, mas é assim que funciona. É o paraíso dos produtos “fakes”.

Silk Market, o Mercado da Seda.


Hóng Qiáo, 红桥珍珠市场, hóng qiáo zhēn zhū shì chǎng.  Conhecido como o Mercado das Pérolas é bem parecido com o Silk Market, só que tem dois andares dedicados à venda das famosas pérolas chinesas. Tem muita coisa bonita. No prédio que fica nos fundos do Hong Qiao você encontra uma variedade enorme de joias em Jade, a pedra preferida dos chineses. Só não entendo muito bem como os comerciantes dali sobrevivem, porque as lojas estão sempre vazias. Lavagem de dinheiro?

Hong Qiao, o Mercado das Pérolas.


Ya Show, 雅秀市,  ya xiù shì chǎng.

No mesmo estilo do Silk e do Hong Qiao, fica no bairro conhecido como Sanlitun, uma espécie de point de estrangeiros. Barganhar ali também é obrigatório.

O Ya Show, em Sanlitun.


Existem outras centenas de shoppings e mercados espalhados pela cidade e acho que precisaria ir a um por dia para “tentar” conhecer todos.

Beijing é realmente enorme! Um prato cheio pra quem gosta de “bater perna”, gastar alguns Renmimbi ou simplesmente passear pela cidade.








quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Adeus Poluição!


Hoje o sol apareceu forte aqui em Beijing, jogando pra longe a massa de ar poluído que nos últimos dias cobriu a cidade e que estava deixando todo mundo preocupado.

  
                                        Ontem...                                           ...e hoje.



 
                                          Ontem...                                         ...e hoje.



Ontem o índice PM 2,5 estava marcando 434.


 


Agora às três da tarde a temperatura está positiva, com o termômetro marcando 5° C.



A umidade relativa do ar está baixa, o vento sopra fraco, mas o céu está azulzinho e nossos pulmões agradecem.


O sol forte voltou.
 

A previsão é de tempo claro para os próximos quatro dias. Tomara que sim e que aquela massa cinza não volte tão cedo a nos incomodar.



quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Poluição em Beijing



Respirar ar puro em Beijing está cada dia mais difícil. A poluição que insiste em cobrir a cidade de cinza tem atingido níveis tão altos que já começa a preocupar as autoridades locais, que já não têm mais como mascarar os índices que medem as partículas de matéria no ar.

Não entendo do assunto, mas a OMS, Organização Mundial de Saúde, diz que um PM 2,5 seguro (ou saudável) deve ser inferior a 25 microgramas diários. Pasmem, então: a leitura aqui chegou recentemente a 993 microgramas por metro cúbico!

Hoje pela manhã estava em 434!



Essas micropartículas suspensas no ar podem penetrar em nossos pulmões, causando sérios problemas respiratórios e até câncer.

As pessoas estão sendo aconselhadas a não sair de casa, mas se isso não for possível, o governo pede para a população deixar o carro na garagem e optar pelo uso dos transportes coletivos.

O grande problema da China é que o país é o maior consumidor mundial de carvão, a principal fonte de energia por aqui e que move as termoelétricas. Mudar isso leva tempo, e a China está demorando a se mexer.

Mas um bom sinal de que mudanças estão a caminho, é que parece que o governo já admitiu o problema e promete esforços para combater a poluição e tornar a China “mais verde”. Só que a situação está cada vez mais grave e é preciso começar já!

Beijing costuma sofrer com as tempestades de vento vindas da Sibéria, mas nesse momento o vento seria bem vindo para poder mandar, pra bem longe, essa massa de ar poluído que sufoca a cidade.

Pela manhã o céu estava assim: com uma densa névoa cinza 
cobrindo a cidade. Não dava nem pra ver o prédio do
China World Trade Center, o maior de Beijing,
que está logo ali ao fundo e fica bem
pertinho aqui de casa.

Foi o dia inteiro assim: o melhor é ficar em casa. 

Enquanto isso o que se vê é cada vez mais e mais pessoas andando nas ruas de máscara, numa tentativa de diminuir o impacto no organismo. As máscaras, é claro, estão em falta nas farmácias e até nos sites de venda online. A capital chinesa tem cerca de 21 milhões de habitantes. Haja máscara!

domingo, 13 de janeiro de 2013

Um Ano na China!


Há exatamente um ano chegávamos à Beijing! Lembro o quanto ficamos “assustados” com o frio de -13° no dia da chegada. Nunca havíamos sentido nada igual. Hoje, um ano depois, a temperatura também anda muito baixa e, apesar de quase congelarmos lá fora, já não nos surpreendemos com tanto frio. Aqui dentro de casa é bem melhor, é claro, e não é preciso usar várias camadas de roupa como quando vamos pra rua.

Como já falei outras vezes, me surpreendi com muita coisa aqui na China. O país evoluiu a cada dia, na busca pelo título de economia número um do mundo, mas a desigualdade social ainda é bem grande. A maior parte da população é de baixa renda, mas também vem crescendo o número de novos ricos no país. Aqui em Beijing espanta a quantidade de carrões que circulam pelas ruas. E, a maioria é dirigida por gente jovem. Será a cara da nova China? Acredito que ainda não! O poder está na mão de poucos e poucos ainda se beneficiam dos tempos modernos. Até aqui parece que os chineses são um povo conformado e que preferem não reclamar das dificuldades, já que tem casa, comida e emprego. Não há reclamações nas ruas – também se houvesse sofreriam retaliações – e o que leio é que nas redes sociais chinesas, alguns já reivindicam mudanças.

O governo está mudando agora em março – apesar da transição já ter começado em outubro – e alguns críticos apontam para um presidente mais liberal – já se fala em internet mais livre - mas também porque o crescimento da China deu uma desacelerada no último ano e isso está preocupando os líderes chineses.

Mas não estou aqui para falar de política. Estou aqui para aproveitar a oportunidade de conhecer uma cultura diferente. E tenho aproveitado bem, dentro do possível. O frio, agora, impede um pouco as minhas “expedições” pela cidade. Mas logo estarei novamente com minha mochila nas costas, máquina fotográfica pronta e muita disposição para conhecer a China e outros lugares aqui do Oriente.

Uma de minhas satisfações e ver minhas filhas falando chinês. A Amanda já fala e escreve bem o Mandarim. E a Gigi, apesar de mais tímida, também já consegue se virar com algumas frases e também escreve os ideogramas com a maior facilidade. Muito legal!

Ainda temos um ano e oito meses pela frente e é estranho viver um paradoxo, uma contradição: ao mesmo tempo que curto nossa passagem por aqui, fico pensando na hora de voltar... É a danada da saudade que bate forte dentro da gente! Mas o blog tá aqui pra isso: pra dividir, principalmente com quem está longe, a minha “aventura” aqui do outro lado do mundo. E vamos em frente, que ainda tem muita coisa pra contar!

Observações desse 1° ano:

Não acredite que vai encontrar aqui na China tudo que você vê aí no Brasil, nos Estados Unidos ou onde quer que seja que tenha uma etiqueta “Made in China”. A coisa pode ser feita aqui, mas nem sempre está a disposição no mercado interno chinês. Isso é a mais pura verdade.

Estivemos agora por 10 dias nos Estados Unidos e me fartei de ver produtos fabricados na China que nem sonho em encontrar por aqui. A variedade nas prateleiras norte-americanas é de fazer inveja – no bom sentido - a qualquer um! Aqui não tem muita opção. E o problema é, por exemplo, como usar uma máquina de lavar se as instruções do painel estão todas em chinês? Por sorte dá pra achar alguns manuais na internet, dependendo do modelo do produto.


O que se torna chato aqui, com o tempo, é ter que pechinchar os preços nos principais mercados turísticos da cidade. É sempre a mesma história: o preço começa lá na casa das centenas, bem alto, e acaba lá pelas dezenas, bem baixo. Mas até “bater o martelo” é uma negociação que já está me deixando sem paciência. É tão bom entrar num lugar, ver o preço na etiqueta e decidir: compro ou não, tá caro ou barato... Nada de discussões... Quer comprar, compra. Não quer, vai embora.

Mas os preços daqui no geral são bons? Sim, comparando com o Brasil são muito baratos! É preciso só ficar de olho na qualidade. Afinal, quase tudo por aqui é “fake”.


É complicado entrar numa farmácia e não ter a mínima ideia do nome do medicamente que quer comprar. Tá tudo em ideograma! Em algumas farmácias mais “ocidentais” ainda é possível encontrar algo em inglês, mas na maioria é um sufoco! O jeito é apelar sempre para a ajuda da intérprete! Santa criatura!


Andar de táxi, ou melhor, esperar que um táxi pare é uma aula de paciência. Pode levar 5, 10, 40 minutos... Vai depender da sua capacidade de esperar ou desistir logo. Já desisti muitas vezes, quando o local era perto, e preferi sair andando. Mesmo no frio! Se a sorte está ao meu lado, não demora muito para um bom samaritano parar. Aí é a vez de testar o chinês. Já consigo ser entendida! U-huuu! Quando não consigo “fazer contato”, estico o cartãozinho com o nome e o endereço do local desejado e assunto encerrado!

Negociação pra andar de riquixá já praticamente não existe. Eles dizem o preço, eu mando o meu e logo nos entendemos. Eles percebem quando somos “moradores” daqui. Ufa! Menos uma ladainha de negociação pela frente!


A comida chinesa é ruim? Depende do que você vai pedir. Já estou bem adaptada aos cardápios daqui e como “quase” tudo. Só evito os apimentados, que são muitos. Por falar em comida, Beijing é uma cidade que te oferece uma boa variedade de restaurantes internacionais. Só passa fome quem quer!

As frutas daqui são ótimas. Agora, por exemplo, é época dos morangos e consigo uns enormes e deliciosos. Não tem aquela coisa de grande por cima e miudinho por baixo da caixa. Compro morango por quilo. Mais caro do que no Brasil, mas a qualidade é bem superior. Vale a pena.


Como falei, estivemos por 10 dias nos Estados Unidos. Lá tem regra pra tudo e as pessoas respeitam as leis, ou são multadas. Aqui as multas também acontecem, mas os chineses não aprendem e continuam desrespeitando quase tudo, principalmente quanto o assunto é o trânsito. Um caos total! Retorno onde não é permitido, estacionamento em qualquer lugar, carro passando pela calçada, motos quase te atropelando na calçada também... Parar num cruzamento e ficar olhando é uma coisa de louco! Pior que eles acabam se entendendo... Como? Não sei! Às vezes parece que vai dar um nó, mas vai carro pra lá, vem carro pra cá, atravessa um monte de gente na frente, passa uma dezena de bicicletas e o trânsito, a trancos e barrancos e lentamente, vai fluindo. O problema é levar 30 minutos num trajeto que poderia fazer em 5!


Cusparada na rua: a coisa estava até tranquila, mas com a chegada do frio, e consequentemente com o aumento dos resfriados e das gripes, a situação piorou. Essa semana mesmo um senhor “puxou lá do fundo do pulmão” algo ENORME, com um tremendo barulho – eles não se preocupam com discrição – que preferi rapidamente mudar de posição na calçada, para não presenciar o momento em que o adorável senhor ia expelir o que estava lhe importunando! Écaaaaaaaa! Fazer o quê? Cada um com seu cada um! Aqui é cusparada, aí no Brasil tem lugar em que os homens não se acanham em colocar o “bilau” pra fora, para aquela tradicional retirada da “água do joelho”.


País diferente, povo diferente, cultura diferente... É essa diferença que me fascina e que me leva a sair por aqui pra conhecer as coisas. Não dá para desperdiçar essa oportunidade. Um ano já se foi, ou melhor: acrescentei um ano de descobertas a minha vida e espero acrescentar ainda mais a cada dia que passo aqui do outro lado do mundo.

Como diz um texto do Arnaldo Jabour que li essa semana:

“Você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais..."

Então, vamos aproveitar a vida da melhor maneira possível!


Madrugada do dia 13 de janeiro de 2012 - Uma recepção calorosa na chegada à Beijing.







segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

100° Post - Boas Festas e Feliz 2013!

Por coincidência meu 100° post vai ser o último do ano. Tô “saindo de férias” por alguns dias, mas depois vou ter muita coisa pra contar.


Foi um ano especial na minha vida. Começou com a expectativa do quê ia encontrar aqui do outro lado do mundo. Cultura, língua, povo... Tanta coisa nova e tudo era uma incógnita. Mas a adaptação não foi tão difícil assim. Chegamos num frio danado – coisa de -13° - mas nem isso tornou as coisas mais complicadas. Difícil, mesmo, é saber que estou tão longe, principalmente de meus pais, de quem sinto uma saudade danada! Tento “diminuir” essa saudade vendo-os quase que diariamente via Skype – santa tecnologia, muito obrigada! Mas não é fácil.


Mas o tempo está passando – já vai fazer um ano que chegamos – e eu tenho procurado, dentro do possível, sair por aqui pra conhecer sempre mais sobre a China e sua incrível cultura. Nem a língua está sendo um problema, porque consigo me comunicar com os chineses com o pouco que aprendi e continuo tentando aprender do Mandarim, ou então uso o inglês e o “mimiquês. Esse, então, não falha, é universal.


A vida é assim, feita de prós e contras, coisas boas e ruins...
Estar tão longe de tudo e todos é ruim? Óbvio, mas por que não olhar para o lado bom, o da oportunidade de estar vivendo uma experiência ímpar de morar aqui na China?


Abrimos mão de algumas coisas, mas ganhamos outras. Sei que a Amanda, por exemplo, sente uma falta danada dos amigos, e está sempre se questionando sobre a fase da adolescência que está deixando de viver estando longe do dia a dia do Brasil. Mas e o que ela está vivendo aqui? A oportunidade de aprender Mandarim, a língua do momento e do futuro? A experiência de vida, a convivência com pessoas de nacionalidades diferentes? Não tem preço! Ela pode não entender muito bem isso hoje, mas vai sentir saudades no futuro.


A Giovanna ainda não tem tanta noção do que está “perdendo e do que está ganhando”. Mas, de alguma forma, também vai levar pra vida toda a experiência que está vivendo aqui. É muito fofo vê-la recitando as tabuadas, de 1 a 9, em chinês. O problema é que ela, quando vai fazer os deveres do Brasil, “raciocina” em chinês, na hora das continhas. É muita informação para uma criança de 8 anos? Ah, mas ela tira de letra!


Os chineses podem não ter religião, podem não comemorar o Natal, mas de olho nas vendas e no crescimento do turismo, Beijing está repleta de decorações natalinas, com muitas luzinhas nos postes, nas árvores, nos condomínios; árvores de Natal em shoppings, parques, na frente de hotéis. Papai Noel também existe na China!


Bem verdade que não vi ainda nenhum presépio nas decorações – somente pra vender em lojas – mas o espírito de Natal já está na cidade. Cabe a nós lembrar que o mais importante do Natal não é o velhinho de roupa vermelha e barba branca, mas aquele menino que nasceu numa manjedoura e que mudou a história do mundo. Mas os chineses não entendem muito isso. Já li de casos deles perguntarem para estrangeiros, algo mais ou menos assim: “Vocês ocidentais comemoram tanto o nascimento desse menino... mas não foi ele que vocês deixaram morrer numa cruz?” Verdade difícil de explicar e de fazer entender...


Aproveitando o espírito de Natal, que nesse momento paira por quase todo o mundo, desejo a todos Boas Festas!


O ano não vai acabar no dia 21 de dezembro, por isso não deixe de pelo menos TENTAR fazer coisas boas, não somente para você, mas principalmente para aqueles que te rodeiam. Pode ser que a pessoa que está ao seu lado, nesse momento, queira simplesmente um beijo seu. Um gesto tão simples, mas que feito com vontade, alegra qualquer um!


Você que está perto de seus entes queridos, aproveite cada minuto ao lado deles. Assim como eu, você amanhã pode estar longe e não vai ter a oportunidade de abraça-los, como realmente gostaria.


Reflita sobre o que ficou para trás. Aprenda com seus erros e busque cada vez mais os acertos.


Renove as esperanças, celebre a vida e continue sonhando! Sem sonhos não se vive e não se chega a lugar algum. E não deixe de fazer a sua parte e de lutar por um mundo melhor! Acredite, sempre!



Feliz Natal e um 2013 de muitas alegrias!


Veja o vídeo abaixo e preste atenção na letra. Nós crescemos, mas nunca é tarde para sonhar!

Há muito a comemorar.
Acredite no que você sente por dentro,
Dê a seus sonhos asas para voar.
Você tem tudo que você precisa,
Se você apenas acreditar.       



Vídeo com parte de uma linda música do filme “O Expresso Polar”

BELIEVE                               ACREDITE

Children, sleeping.                 As crianças, dormindo.
Snow is softly falling.             A neve está caindo suavemente.
Dreams are calling,               Os sonhos estão chamando,
Like bells in the distance.      Como sinos à distância.
We were dreamers,                Nós éramos sonhadores,
Not so long ago.                     Não há muito tempo.
But one by one, we                Mas, um a um, nós
All had to grow up.                Todos tínhamos que crescer.

When it seems the magic      Quando parece que a magia 
slipped away...                       sumiu ...
We find it all again                Encontramos tudo de novo  
On Christmas Day.                No dia deNatal.       
Believe in what your heart       Acredite no que seu coração 
is saying,                                     está dizendo,   
                                                                    
Hear the melody that's playing.  Ouça a melodia que está tocando.
There's no time to waste,             Não há tempo a perder,

There so much to celebrate.        Há muito a comemorar.
Believe in what you feel              Acredite no que você sente 
inside.                                           por dentro.

Give your dreams        Dê a seus sonhos 
the wings to fly.            asas para voar.

You have everything             Você tem tudo 
you need,                             que você precisa,
if you just believe.                Se você apenas acreditar.