segunda-feira, 15 de julho de 2013

Mais um shopping em Beijing e conhecendo um pouco de Miyun

Nas últimas semanas o que mais acontece aqui em Beijing é chover! Chuva, calor e um bafo terrível lá fora. E pra ficar pior ainda, a poluição do ar tem sido constante: o céu quase sempre está carregado por uma névoa cinza. Dificilmente o sol dá as caras.

Como a garotada acabou de entrar nas férias de verão – aulas somente em setembro – é preciso arrumar o quê fazer, pra não ficarmos em casa o tempo todo. O ideal, por causa da poluição, era não se expor, mas não dá pra ficar preso entre quatro paredes.

Na semana passada, mesmo com chuva, pegamos o metrô e saímos para conhecer um shopping de roupas que fica em frente ao zoológico de Beijing. Entramos no prédio que fica bem em frente ao zoo, na Xizhimen Waidajie. São oito andares de stands com roupas, sapatos, brinquedos, artigos de cama e mesa e até alguns eletrônicos. Mas o forte mesmo são as roupas. Mas não espere encontrar por lá artigos “chiques”. É um shopping bem popular, com muita coisa – a maioria na verdade – voltada para o público chinês. Bem diferente do Silk Market, Yashow e Hong Qiao, que vendem artigos mais para o consumidor estrangeiro.


Fachada do shopping.


Mas garimpando aqui e ali, até que dá pra comprar algumas coisinhas interessantes, como shorts jeans – uma variedade enorme que a garotada gostou – calças e shorts de moleton, meias-calças, soutiens, blusas de malha, sapatos, tênis, botas... Só é preciso ter paciência e fôlego para andar pelos corredores espalhados pelos oito andares.

As lojas dos andares de cima possuem roupas de melhor qualidade e, é claro, mais caras. Estavam mais vazias.

Um andar era praticamente só de sapatos.

Muita roupa "chinesa". 
Pena que deixei pra tirar as fotos com o celular 
e elas não ficaram boas. Da próxima vez eu capricho.

Parece que são sete shoppings naquela área. Como só visitamos um, devemos voltar pra conhecer os outros. Afinal, as férias são longas.

Mìyún

No final de semana o tempo continuou ruim, mas a chuva deu uma trégua. Então, no domingo, resolvemos nos aventurar até Mìyún, que fica a cerca de 63 km, a nordeste de Beijing.

 Mìyún (密云) é um condado do subúrbio da capital chinesa, que tem um belo ambiente natural, com diversas atrações como montes, lagos e cachoeiras. Escolhemos conhecer o Qīngliáng gǔ (清凉 ), ou Cool Valley – Vale Legal, numa tradução literal - que fica a cerca de 120 km de Beijing.


A) Nosso ponto de partida.
B) Miyun.
C) Qingliang gu.


Rota marcada no GPS, lá fomos nós. Apesar de toda a tecnologia a nosso favor, nem sempre conseguimos assinalar corretamente o ponto a ser visitado, o que torna a viagem mais longa. Foram quase três horas de carro, até, finalmente, chegarmos ao nosso destino.

Mais uma vez “invejo” a infraestrutura das rodovias chinesas. Asfalto perfeito, sinalização em chinês e inglês, tudo bem organizado. E eles não param de investir em melhorias. Em alguns trechos passamos por obras nas pistas, em pleno domingo. Mas como já mencionei diversas vezes, os chineses trabalham de domingo a domingo.

Sinalização em inglês.

Esses painéis são comuns por aqui. Mostram como
está o trânsito em determinado trecho.
Verde significa trânsito bom.
Amarelo, lento.
E vermelho, parado.


Asfalto perfeito.
 
Alguns trechos estão em obras.

As montanhas são bem rochosas e
a estrada possui alguns túneis.


Os pontos turísticos estavam assinalados em placas. O único problema é que, numa certa hora, elas foram ficando escassas e o jeito foi se orientar somente pelo GPS. Só que vira e mexe ele ficava dando aquele aviso irritante: “recalculating”!


Com muitos lagos, a região de Miyun é boa para a pesca.
À esquerda, na foto, uma placa sinalizando alguns pontos turísticos.


Por volta de meio-dia chegamos ao Qīngliáng gǔ, localizado em Sihetang, na cidade de Shicheng, no Condado de Miyun, Beijing. Ufa! Beijing é enorme e essa coisa de condado, subúrbio, cidade, etc, é difícil de entender.

O lugar possui 13 piscinas naturais e 5 cachoeiras, além de um pequeno e simples parque aquático.

Além da paisagem natural, o lugar possui um Parque.


 Logo que chegamos fomos explorar as cachoeiras. Em trilhas quase sempre íngremes, fomos subindo degraus e mais degraus e passando por diversas quedas d’água. Confesso que já vi mais bonitas, mas valeu o passeio.




As cachoeiras foram aparecendo ao longo do caminho. 


De vez em quando uma parada para descansar.


Uma das cachoeiras de longe e depois mais de perto.


Fê, Mel e Cris.

Escadas e passarelas estreitas nos
levavam cada vez mais para cima.


Olhar pra baixo dava até medo.


Mas o visual compensava todo o esforço e a aventura.


Nesse trecho era possível andar 
de jangada, numa das piscinas naturais.


Caminhando pelas trilhas.
Quando encontrávamos um trecho plano, era um alívio.


Mais uma pequena piscina natural.



O volume de água estava pequeno.
Talvez por isso as cachoeiras não estivessem
tão bonitas.

Dessa vez agradecemos por não estar um dia de sol forte, porque se já suamos e nos cansamos com o mormaço, imagina com o sol a pino? Num determinado ponto, após cerca de 2 km de caminhada dentro da mata, a garotada desistiu de continuar em frente, mas eu me aventurei mais um pouco. O problema é que as placas indicavam a próxima atração a “50 metros”, e esses 50 metros não chegavam nunca. 


 
Última cachoeira. Quase 2 km vale adentro.


Deixei as meninas descansando e subi mais um pouco.


Cheguei bem perto do ponto chamado de Nine Clouds (Nove Nuvens), mas já bufando de cansaço, desisti de seguir pelos 150 metros seguintes. Agora me arrependo: cheguei tão perto! Devia ter recobrado o fôlego e seguido mais um pouco. 


A última cachoeira vista lá de cima.
Desse ponto, de onde tirei a foto,
resolvi voltar. As pernas não aguentavam mais
tanta subida.


Mapa do Vale.
O n° 1 marca o início de nossa caminhada,
no Parque de Águas.
O n° 2 marca até onde eu fui.


Hora de descer.


Alguns degraus e passarelas eram de ferro,
outros de pedra.

Sempre com cuidado. 

Com as pernas bambas – quando parei os joelhos tremiam de verdade – chegamos à base do vale e aproveitei para saborear um delicioso sorvete de manga. Depois, fui brincar com a Gigi na parte aquática do parque. Foi ótimo para refrescar.

Hora de se refrescar.

Gigi brincando de se equilibrar. 


 
Ela ainda desceu com o Pai, de bote, por um tubo d'água.


Olha só como os botes são levados
para o ponto de partida da atração.
Ali no meio tem um chinês remando,
sem ao menos conseguir ver o que vem pela frente.
Só eles, mesmo!


Por volta de três e meia da tarde resolvemos voltar pra casa. Rota marcada no GPS fizemos o caminho de volta em cerca de duas horas e meia.


Repare nessa cena. Várias caixas e um homem com o rosto coberto por um véu. 
Ele é um apicultor - criador de abelhas. 
Vimos vários na estrada perto de Qingliang gu.
O rosto está protegido, mas os braços não!
Na foto maior dá pra ver algumas abelhas voando 
perto das caixas. Loucura!


As caixas ficam na beira da estrada.
Tudo bem arcaico.


Lá do alto da estrada é possível ver a represa de Miyun.
Pena que o tempo carregado pela poluição não permitiu ver bem a paisagem.
Num dia de sol deve ser muito bonito.


Ao final da jornada, como não somos de ferro e não tínhamos almoçado - já passava das seis da tarde - paramos no nosso restaurante favorito aqui em Beijing – o Annie’s – e, mortos de fome, saboreamos quase todos uma bela massa! Se perdi alguns quilinhos na trilha das cachoeiras, recuperei alguns gramas com o prato de Nhoque que escolhi. Tudo bem, ontem era domingo e hoje é segunda-feira: dia internacional de iniciar os regimes!









sábado, 6 de julho de 2013

9 anos da Gigi, nossa "Palmitinho"

Há nove anos, no dia 5 de Julho, nascia a nossa pequena Giovanna. E nasceu pequena, mesmo: não lembro exatamente os números, mas ela tinha algo em torno de 45,5cm e 2,450kg. Era miudinha e cabeluda. Pena que não tenho aqui no computador uma foto dela quando nasceu. Estão todas no Brasil.

Mas ela foi crescendo e logo ficou rechonchuda, tanto que eu a apelidei de “Faustina”: não tinha nem pescoço de tão gordinha.


Gigi com a Amanda, com menos de um ano e no cartão do 1° aniversário:
gorducha e com os olhos bem azuis. Hoje eles estão verdes.



Giovanna com cinco anos. 
Foto para o visto para os EUA.


Só que ela continuou crescendo e foi ficando cada vez mais sapeca. É uma menina ativa, que não para, por isso agora, aos nove anos, é toda magrinha. De um ano pra cá já cresceu quase 10cm e ganhou cerca de 6kg: cresce mais do que engorda.

Como a gente quase não pega sol aqui em Beijing, ela está branquinha e comprida. Por isso colocamos nela um novo apelido: “Palmitinho”.

Apesar do corpo fininho ela se alimenta bem, come frutas, legumes e verduras. Quando pedimos pizza, ela quase sempre come, sozinha, uma pizza pequena de pepperoni – oito pedaços de uma pizza de 23cm de diâmetro, um pouco maior do que uma “brotinho”. A questão é que como não para, gasta muita energia e não acumula gordurinhas. Isso é bom. Acho que nunca vai precisar fazer regime!!!

Ninguém acredita quando digo que na escola ela é calada e quietinha. Porque em casa a pilha está sempre carregada. Canta, dança e fala o tempo todo. Às vezes eu me pergunto: “Onde está o botão LIGA/DESLIGA”?

É esperta, mas meio preguiçosa. Após um ano de escola na China, já entende e escreve vários ideogramas do Mandarim, mas é tímida pra falar. De vez em quando esquece essa timidez e serve de intérprete pra mim. Fala com a voz baixinha, mas com a entonação perfeita. 

Na hora de fazer os exercícios de matemática do Brasil, “raciocina” a tabuada em chinês. Se eu pedir pra ela falar em português, não sai nada. Coisa de doido! Mas é uma graça ela falando a tabuada em mandarim.

Mas o quê ela adora, mesmo, é ficar na frente do espelho, cantando em inglês, vestindo perucas, fazendo caras e bocas como as cantoras teens prediletas dela, ou mesmo imitando a Lady Gaga ou a Kate Perry. Aí ela se solta!


Lady Gaga mirim.


Ontem a Gigi completou nove anos. Passou a véspera dizendo a cada meia hora – sem exagero – “amanhã é meu aniversário”.

Eu, ela e a Amanda fizemos bolo, alguns brigadeiros e beijinhos – doce de coco – para a hora do “parabéns” – que não podem faltar. Já é tradição, não é, Mãe? Ela era só alegria!

Mas comemoramos de forma bem simples: ela chamou aqui pra casa uma amiguinha brasileira que estuda com ela e a irmã – são filhas de chineses. 


Na hora do lanche, o "parabéns pra você" com as amiguinhas
e a Amanda.


Passaram o dia brincando muito e à tarde fomos visitar o Blue Zoo, um aquário que tem aqui em Beijing, no Estádio dos Trabalhadores. O lugar não é lá grande coisa, mas gostamos e achamos bem interessante ver as águas-vivas, peixes de todos os tamanhos, tartarugas e tubarões. 


Na entrada do Blue Zoo com as amiguinhas.

No pátio interno.

  
Peixes e águas-vivas.


Olha o tubarão passando lá atrás.

Tocando numa estrela-do-mar.

No túnel sob o aquário.

Mulheres fazendo "piruetas" dentro do aquário,
junto dos peixes. Alguns tubarões passavam pertinho!

Muitos e muitos peixes, de todos os tamanhos.


Peixes e recifes de corais.


Olha esse que lindo!


No final, ainda assistimos a um show de leões marinhos. O problema era o calor no local, que tem uma infraestrutura muito simples. O palco onde os bichos ficavam era bem pequeno, com um tanque na frente – também pequeno – onde os leões marinhos entravam pra se refrescar.



Os protagonistas do espetáculo.


À noite pedimos pizza em casa e elas continuaram se divertindo, e aproveitando o dia entre brincadeiras e jogos do Xbox.  

Por volta das 10 da noite levamos as meninas de volta pra casa. Estavam todas exaustas!

Quando a Gigi caiu na cama, dormiu logo. Eu a abracei e, mais uma vez, disse pra ela, “felicidades”.

É o que desejo pra minha Gigi: “muitas, mas muitas felicidades. Que Papai do céu a abençoe, sempre, e que ela saiba escolher o caminho dela, guiando-se sempre pelo que é certo. As dificuldades sempre existirão, mas que ela tenha personalidade e perseverança para superar e aproveitar tudo que a vida lhe proporcionar, nos momentos bons e nos ruins”.

“Querida Gigi, você é e sempre será minha princesinha. Te Amo muito. Conte com a Mamãe, sempre. Beijinhos minha Palmitinho”.

Fotos dos aniversários mais recentes


Tomando café da manhã no aniversário de 7 anos.


Vestida de Sininho na comemoração 
do aniversário de 7 anos.


Aniversário de 8 anos, já na China.


9 anos!!!












quarta-feira, 26 de junho de 2013

Do campo para as cidades

Já comentei aqui no blog sobre as muitas obras que vejo pelos locais que visitamos aqui na China. Centenas de arranha-céus brotam no meio das cidades e, muitas vezes, no meio do nada.


São centenas de obras por todas as cidades, como
essa que vi quando fomos para Tianjin, em fevereiro.


O governo chinês, de olho no crescimento do PIB, está fazendo o contrário do que muitos países fazem: trazendo a população do campo para os grandes centros. Veja, no link abaixo, a reportagem da Folha-Uol que saiu hoje, dia 26 de junho: em 12 anos o governo quer transferir 250 milhões de pessoas das áreas rurais para as cidades.



Condomínios enormes estão sendo construídos 
para abrigar as pessoas que vão chegar das áreas rurais.


Mas eu pergunto uma coisa? Os chineses estão calculando o impacto ambiental de toda essa transformação? E também o impacto de novos milhares de habitantes nas cidades e, consequentemente, mais carros, mais bicicletas, mais gente nas ruas?

Andar em Beijing, no horário do rush – se é que aqui existe UM horário de rush – é um exercício de paciência. O trânsito não anda! Trajetos de um quilômetro podem demorar meia hora para serem percorridos.

Quando cito um possível problema ambiental, falo da poluição que atinge diariamente índices alarmantes. Se fosse levar ao pé da letra o que determina a OMSOrganização Mundial de Saúde – não sairia de casa por um bom tempo, porque o ar lá fora está quase sempre poluído. Acho que vou deixar parte do meu pulmão aqui na China!

Esse ano teve dia virando noite por causa de tanta poluição.
 

Os chineses dizem estar tentando solucionar esse problema do ar, mas é algo que ainda deve demorar, já que o país é muito dependente da energia gerada pelas usinas de carvão. Mas a poluição não vem somente das indústrias, mas também dos milhares de veículos que circulam diariamente pelas cidades. Um número que aumenta a cada dia, já que o chinês somente há pouco tempo descobriu e começou a ter acesso aos carros. E olha que as motos, por aqui, são somente as elétricas – pra ter moto movida a combustível parece que é preciso uma autorização especial. Em dois anos só devo ter visto umas cinco aqui por Beijing.
  
Voltando a falar dos carros. Antes de comprar um veículo o chinês precisa se inscrever para um sorteio de placas. Isso mesmo: sem placa não pode comprar um carro. Parece que anualmente são distribuídas, aqui em Beijing, 240 mil novas placas. Só que são mais de 1,4 milhões de candidatos por sorteio. Uma loucura. A capital chinesa introduziu o esquema de sorteio de placas em 2011, numa tentativa de diminuir o número crescente de carros nas ruas e os enormes engarrafamentos. Em 1997, Beijing possuía um milhão de carros nas ruas, número que pulou para alarmantes 5,2 milhões em 2012 – dados da agência de notícias Xinhua News.


Trânsito bom assim é coisa rara.

E olhe que estou falando apenas de Beijing, mas outras cidades chinesas enfrentam os mesmos problemas com o trânsito e com poluição.

Esse aumento da população nas cidades certamente vai implicar num aumento de veículos, por mais que o governo limite a frota. Ai, meu Deus! Mais "barbeiros" pelas ruas.

O trânsito chinês é um verdadeiro caos.
Muitas vezes os carros ficam parados, no meio da rua,
um esperando o outro dar passagem.
Reflexo do recente boom de automóveis no país.

A reportagem da Folha-Uol também fala do problema social que implica essa mudança da população do campo para a cidade. O camponês normalmente é uma pessoa humilde e de poucos conhecimentos. Sua subsistência no campo é uma coisa, na cidade será outra completamente diferente. O que vai fazer uma pessoa que passou a vida toda – para os mais velhos – trabalhando na lavoura e dela tirando seu próprio alimento? Vai arrumar emprego aonde na cidade? Muitos falam que ficam sem fazer nada o dia inteiro, porque não arrumam emprego. O governo precisa olhar isso.

No Brasil, a ida de pessoas do campo para as cidades tem favorecido o surgimento de novas favelas e o aumento da população de rua. As pessoas ficam sem emprego, sem casa, sem comida e passam a roubar. Aqui na China acho que eles não correm esse risco. Primeiro, porque estão recebendo moradia; segundo, porque o governo promete um plano de ajuda de custo para aqueles que abandonaram seus empregos no campo; e terceiro, a realidade aqui é outra. As pessoas sabem que se passarem para o mundo da bandidagem, podem acabar presas e até pior: alguns, quando roubam ou matam, pagam com a vida.


Se vai dar certo ou não esse êxodo do campo para a cidade, só o futuro dirá. Tomara que os chineses estejam prevendo tudo que pode acontecer e que o lucro com o aumento dos gastos internos da população não vire um pesadelo ou um caminho sem volta. Afinal, o crescimento da China tem reflexos em todo o mundo.

Brasil, o País do Presente!

Não estou alheia aos acontecimentos no Brasil. Aqui de longe acompanho tudo com muita atenção e me uno, pelo menos no pensamento, nessa corrente dos brasileiros em prol de um país melhor e mais justo.

Desde que me conheço por gente que ouço falar que “O Brasil é o país do futuro”. Finalmente acordamos e chegamos a conclusão que é hora de sermos o “País do Presente”.

Entra e sai governo e nada muda, pelo contrário. Só pioram as coisas para o lado do trabalhador que sofre no trânsito das cidades, sofre dentro de ônibus, trens e metrôs que possuem uma infraestrutura precária; sofre mais ainda se precisa de um hospital público; sofrem as crianças que não têm escolas públicas decentes; sofrem os professores mal remunerados e por aí vai.

São tantas as coisas que precisam mudar que não dá pra ficar esperando pelo amanhã.

Falta saúde para o povo e para o País. O Brasil está na UTI e precisa de cuidados urgentes pra não entrar em coma e morrer.

Os movimentos precisam continuar com as reivindicações, mas de forma organizada, sem tumultos e com pautas reais. Começamos e não podemos parar.

Também não adianta sair pedindo pra mudar tudo de uma vez. Vamos por prioridades. Quais são elas? Povo e governo precisam decidir.

Varrer o Executivo, Legislativo e Judiciário é mais do que necessário. Chega de impunidade pra quem desvia dinheiro, ganha propina, se beneficia de cargos e no final não paga a conta do que roubou. No Brasil, só ladrão de galinha vai pra cadeia. E políticos corruptos se reelegem. O povo brasileiro precisa deixar de ser burro e ingênuo!

Nas primeiras linhas desse texto, escrevi que “... me uno, pelo menos no pensamento, nessa corrente dos brasileiros...”. Por que só no pensamento? Porque aqui na China não posso sair e fazer o que muitos outros que estão morando no exterior fizeram, levantando cartazes, levando bandeiras do Brasil para as ruas. O governo chinês não permite manifestações populares e qualquer deslize pode dar até cadeia. E cadeia aqui, é coisa séria.

Mas no momento em que milhões de brasileiros se manifestam no Rio, em São Paulo, Minas e outras cidades do Brasil, eu resolvi fazer a minha parte aqui, de forma silenciosa e singela: fui buscar a Giovanna na escola com a camisa da seleção. Nada a ver com a Copa das Confederações. Apenas a maneira que encontrei de vestir nosso verde e amarelo. Se pudesse, podem ter a certeza de que sairia na rua “enrolada” na bandeira nacional.

Quem acompanha o blog sabe que, sempre que possível, carrego a bandeira do Brasil para os lugares que visito ou em eventos esportivos que assisto. Afinal, sou brasileira, com muito orgulho e com muito amor e quero tornar realidade o sonho de um Brasil melhor. Não quero deixar apenas um país digno para minhas filhas, mas quero VIVER esse país com elas!

Apesar de todos os problemas, tenho orgulho do
meu Brasil.





sexta-feira, 21 de junho de 2013

Hot Pot, o Fondue Chinês


Você já ouviu falar de Hot Pot? Os chineses o chamam de huǒ guō () e adoram. É uma maneira típica usada por aqui – e em grande parte da Ásia – de se comer os mais variados tipos de folhas e de carnes, peixes e alguns legumes, todos cozidos numa água fervendo. Dá até pra chamar de Fondue Chinês.

Ontem, pela primeira vez, fui experimentar mais essa tradicional comida da culinária chinesa. Achei interessante, mas meio sem graça, sem gosto. Imagine comer alface, cogumelo, camarão, carne de carneiro, de boi, entre outras coisas, sem sal, tudo somente cozido? Pois é assim mesmo. Parece comida de doente.

 Os restaurantes de Hot Pot estão por todos os cantos da cidade. Fomos num aqui perto de casa, bem tradicional. Ficamos numa sala previamente reservada – o que é bem comum por aqui – e quando chegamos as panelas de Hot Pot já estavam posicionadas à mesa. Éramos oito pessoas, então eram oito panelas, uma para cada. Em alguns restaurantes as pessoas à mesa dividem uma única panela, mas não é lá uma coisa muito “legal”, porque cada um vai mergulhando na água os mesmos kuaizi – os palitinhos – que coloca diretamente na boca.

Logo que sentamos as garçonetes trataram de encher de água o recipiente da panela, feita de cobre simples por dentro, com detalhes de cloisonné por fora.

As panelas de Hot Pot ainda sem água.


Dentro da panela de cobre havia alguns temperos.


Depois foi a vez de acender os fogareiros, um a um.

Uma das garçonetes acendendo o fogareiro.



Com a ajuda de nossas amigas chinesas Cao e Julia escolhemos o quê comer, dentre um cardápio bem variado. Nossas opções foram: carne de carneiro, carne de boi, folhas variadas, uma pasta de camarão, inhame, gengibre e cogumelos.

Nós mulheres – éramos quatro – bebemos um chá muito gostoso, de rosas, mas que parecia muito com suco de uva. Achei uma delícia. Foi sérvio frio.

Os homens a princípio pediram cerveja, mas como ela estava quente – o chinês não sabe beber cerveja gelada – optaram por refrigerante. 

Aguardamos um pouco para a água ferver e começamos a colocar, cada um em sua panela, o que queria comer. Eu experimentei a carne de carneiro e de boi, a pasta de camarão, alguns cogumelos, algumas folhas e o inhame. No final pedimos também alguns dumplings – conhecidos aqui como Jiao zi – os pasteizinhos chineses.

Pra falar a verdade, não consegui diferenciar gosto de nada. As carnes pareciam todas iguais; as folhas idem e os jiao zi - apesar de serem de três tipos diferentes – também não tinham um sabor muito definido.


Cogumelos variados.


Ah, cada um recebeu um potinho com um molho, mais para doce – que parecia de amendoim – para molhar cada ingrediente depois de cozido. Ficou tudo, então, com gosto de amendoim.


Molho doce, com sabor de amendoim.
Pelo menos não era apimentado.


A carne usada no Hot Pot não tem nada a ver com a que usamos em nossos fondues ocidentais, cortada em cubos. Por aqui, a carne previamente congelada, é partida em finíssimas fatias. O problema é que quando a colocamos na água, ela praticamente desmancha. Eu, como não tenho a mínima intimidade com os kuazi, apanhei pra “pescar” a comida, principalmente as carnes depois de cozidas.


No prato redondo algumas frutas e, mais ao fundo,
as carnes cortadas em tiras bem finas.


 O camarão, como falei antes, foi servido em pasta. Sabe aqueles sacos de confeiteiro que usamos na cozinha para colocar o glacê, para decorar bolos? Pois o camarão estava em algo parecido: vendo nossa falta de jeito, a garçonete chegou e espremeu a pasta em nossas panelas, formando pequenas bolinhas.


Olha a pasta de camarão indo para a panela.

O interessante é que a temperatura da água é tão alta, que a comida não demora nada para cozinhar. No caso da carne, por ser tão fina, levava menos de um minuto pra ficar cozida. O que demorou mais foi o inhame que naturalmente é bem mais duro, apesar de estar cortado como batata-frita palito.

Cozinhando as minhas folhas.


No final das contas foi interessante e valeu a experiência. E descobri porque os chineses são quase todos magrinhos: comer verduras e carnes, tudo cozido na água, sem sal, sem nada? Até eu! Vou fazer essa “dieta”.

A essa altura minha mãe deve estar pensando: “A China está mudando a minha filha”.

Mãe, tô só seguindo seus conselhos, lembra? “É preciso experimentar as coisas pra saber se gosta ou não”.

A Gigi foi com a gente e experimentou quase tudo. Já a Amanda, pra variar, não quis se arriscar e ficou em casa. Essa parece comigo, quando eu era menor: chata pra comer. Mas sejamos sinceros: ela até que melhorou bastante.

Conhecendo e experimentando a culinária chinesa.

Bom, a cozinha chinesa tem uns pratos exóticos, bem diferentes, e eu me arrisco em alguns. Só não vou experimentar, de jeito algum, os espetinhos de escorpião, besouro, bicho-da-seda... Desses, eu passo longe!

Outros ingredientes que podem ser usados no Hot Pot:

Tofu, mexilhões, caranguejo, lagosta, lula, pepino do mar, polvo, espinafre, cenoura, brotos de feijão, vagem, tomate, abóbora, agrião, só para citar alguns. A variedade é enorme. Na verdade, se for fazer em casa, você pode inventar e “saborear” vários ingredientes. Basta ter imaginação. Bom apetite!


Kubla Khan e o Hot Pot

Na entrada do restaurante havia um pôster explicando a origem do Hot Pot.

Há 700 anos Kubla Khan - líder mongol, fundador da dinastia Yuan, neto de Gengis Khan - durante uma guerra, resolveu comer um guisado de carneiro. Quando o cozinheiro estava preparando o prato, Kubla foi avisado que os inimigos estavam muito próximos. Ele então, não teve outra alternativa, a não ser reagrupar seus soldados e voltar para a luta.

Vendo que não haveria tempo para o chefe comer o guisado de carneiro, o cozinheiro decidiu fatiar a carne em pedaços e cozinhá-la em água fervendo. Para dar gosto, acrescentou um pouco de pimenta na água e ofereceu para Kubla, antes dele seguir para o campo de batalha.

Mais tarde, na celebração da vitória, Kubla pediu que o cozinheiro preparasse o mesmo prato, o que ele fez, só que com mais capricho. Kubla Khan gostou tanto que decidiu “batizar” o prato de “Hot Pot de Carneiro”. 

A história do Hot Pot de carneiro.